Lídia "Coração de Leão"


Estávamos chegando às vésperas do Dia das Mães. Na verdade, vejo essa frase com uma certa ironia, pois desde que minha primeira filha nasceu, não deixei de ser mãe nem por um segundo, quanto mais por um dia!
Minha intenção não é filosofar sobre esse assunto e sim narrar um fato que na verdade não me deixa parar de pensar sobre a complexidade que envolve essa história de ser Mãe.
Como disse no início, era a semana do Dia das Mães e já estava preparada para as três homenagens que receberia de cada uma das minhas filhas na escola. Na terça, seria a homenagem da caçula, que agora está com seis aninhos e me enche de alegria com seu jeitinho ainda um pouco infantil, mas só o jeitinho, e vou explicar porque.

Bom, saí de casa como de costume, às 6h05, pois a Reunião de Pais que incluía a homenagem começaria às 7h20. Esse seria um tempo razoável já que o trajeto que preciso percorrer para chegar à escola é de aproximadamente 21km e no horário que saí, gastaria no máximo 45 minutos até meu destino. Pois bem, penteei com mais cuidado o cabelinho fino da Lídia, delicado, com lindos cachinhos nas pontas, pois queria fotografar seus melhores ângulos, afinal aquela não deixava de ser uma ocasião muito especial.  Tudo pronto, todas no carro, mochilas e lancheiras organizadas e dispostas no porta-malas e saímos rumo ao nosso compromisso.

A princípio tudo parecia caminhar bem, o trânsito até um certo ponto, estava fluindo como de costume, mas infelizmente, um acidente grave num ponto de principal acesso à nossa rota causou um caos tão grande, uma concentração de carros tão impressionante me fez perceber que talvez não fosse possível assistir minha filhinha se apresentar. Olhei pra ela, que estava sentada no banco de trás, cinto atado, travesseirinho na cabeça, e disse: “Filha, você está vendo esse trânsito? Talvez não dê tempo de você cantar pra mamãe. Mas quero que você saiba que eu te amo muito e você não precisa ficar triste por isso, ok?” Ela virou seu rostinho pra mim, com olhos um pouco tristes e apenas sinalizou um “sim” com a cabeça . Sem mais palavras. Enquanto isso, achei por bem arriscar um caminho alternativo, mas sem sucesso.

Chegamos à escola e soubemos que a homenagem havia sido a primeira parte de Reunião de Pais, e por isso, de fato, Lídia não cantou pra mim junto com seus colegas. Ao invés disso, pegou o presente que ela mesma havia preparado e com um sorriso gigante me entregou e  me abraçou com carinho.
Depois desse momento, minha manhã foi difícil de suportar. Fiz minha leitura devocional, e passei muito tempo orando, pedindo a Deus que cuidasse do coraçãozinho da minha filha, pois sabia o quanto aquele momento era importante pra ela e não queria que ela sofresse demais por essa frustração.  O alívio foi quase imediato. Louvei a Deus por seu calor reconfortante. Como ia busca-las na saída da aula, não via a hora de que o relógio batesse meio dia. Não sabia o que esperar. Imaginei que ela fosse estar desanimada, talvez chorando, cabisbaixo, mas encontrei uma menininha correndo pela rua, feliz por se reencontrar comigo. Ao entrar no carro, depois de atar o cinto, ela então começou a cantar: “Amo você e nunca vou te esquecer, amo você, contigo quero parecer”. Gente, fiquei tão emocionada com essa homenagem exclusiva! Como subestimei a capacidade de lidar com a frustração da minha filha. Encontrei um coração de leão num corpinho de menina! Que alegria imensa!
Mesmo assim, para me certificar de que ela estava bem, ainda a questionei: “Filha, você ficou chateada com o que aconteceu?” E mais uma vez surpreendendo todas as minhas expectativas, ela respondeu: “Não, mamãe, foi até bom, assim a senhora ficou mais curiosa”. Meu Deus. Emudeci.

Fiquei pensando mesmo que ser mãe é uma grande loucura. Se alguém acha que essa é uma tarefa comum, corriqueira, que qualquer mulher pode ser uma, talvez ainda não tenha tido a experiência da maternidade, ou não se lembre dos esforços de sua própria mãe. Já disse algumas vezes que o coração da mãe parece que tem sempre uma dorzinha, como se aquela sensação de friozinho na barriga fosse constante. Lutamos para fazer e ver nossos filhos felizes, por isso, muitas vezes, nos abnegamos e abrimos mão de muito do que há em nós e daquilo que desejamos. Enquanto sabemos que é importante que nossos filhos recebam “nãos” ou quebrem a cara, pois insistem na desobediência, nosso coração dói duas vezes, sofremos por nós e por eles. 

Por outro lado, das experiências mais intensas que já tive com Deus, muitas delas, senão a maioria, foram vivenciadas após a maternidade. Vi a mão poderosa de Deus em cada milagre, desde o nascimento até muitos livramentos envolvendo tombos, viroses, febres inexplicáveis, noites sem dormir. Posso dizer que cada uma dessas experiências valeu a pena, pois assim Deus tem moldado minha vida ao caráter daquele que passou tudo isso por mim e pelas minhas filhas também.
Vejo em tudo isso que não há como ser mãe sem o auxílio de Deus. Ser mãe mostra meu lado mais frágil, desperta em mim o que há de melhor, mas também o que há de pior. Ser mãe me faz perceber que sou limitada, tenho vida útil, passível de perecer. Somente Deus, por meio de Jesus, é capaz de restaurar minha alma, tratar daquilo que não perece e só por meio dele, posse deixar um legado que não vai ter fim com os meus dias.

O que dizer de tudo isso? Mais uma vez, obrigada Senhor, por me deixar conhecer mais uma das facetas do seu amor aos seus filhos, a lidar com cada um conforme sua individualidade, assim como os pais tem o privilégio de lidar com seus próprios filhos conhecendo a peculiaridade de cada um. É isso que faz da maternidade algo tão singular. É isso que me faz engradecer ao Autor da Vida.

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Dia desses...

Acordei, como em todos os dias úteis da semana, às 5 da manhã. Após 15 minutos gastos colocando a roupa já separada na noite anterior, escovando os dentes e penteando os cabelos, corro em direção às companheiras inseparáveis e determinantes do humor de qualquer criança durante o período escolar: as lancheiras. Abro as três, verifico as toalhas aparadoras, enxáguo os recipientes para o lanche e então descubro que sou uma mulher criativa ao me dar conta de que preparo três tipos de lanches personalizados cinco vezes por semana. Também noto com isso que da mesma genitora podem sair os mais variados tipos de gente. Cômico. Até aí já se foram 30 minutos. Sigo em direção à porta do quarto onde três criaturinhas encantadoras dormem como anjos sem qualquer cuidado ou consternação. Chacoalho uma a uma, levo-as para a toalete matinal, ajudo a vestirem seus uniformes, colocarem as meias, amarrarem os sapatos, preparo três xícaras de leite, três fatias de pão com manteiga, penteio rapidamente os longos cabelos com cachos embolados que me rendem algumas reclamações, irritações e gritinhos de dor em meio ao dia ainda escuro. Quase tudo pronto. Agora, cuido para que os itens perecíveis retornem ao refrigerador, que o achocolatado seja tampado, que a pia não fique em tanta desordem, e saio mais uma vez rapidamente em direção ao carro que irá receber quatro mochilas, três lancheiras, uma bolsa e o que mais for necessário para a primeira metade do dia. São 6 horas. Certifico-me de que todas estão no carro, cintos afivelados, farol aceso, retrovisores desembaçados e a saga continua.

A ilusão de que o trajeto seja tranqüilo dentro e fora do veículo é uma esperança diária. Afinal não se deve perdê-la, mas é inútil crer que isso se torne concreto. Começo a ouvir toda sorte de reclamações como: estou sendo observada, ela não pára de cantar, sua mão está me cutucando e outras mais que minha limitada capacidade criadora jamais sonhou em manifestar. Enfim, mais uma vez fico com aquela sensação de que de fato sou dotada de algum tipo de faculdade cognitiva especial capaz de me fazer prestar atenção em todas as esferas que me envolvem, desde as conversas e questões de minhas filhas ao motorista mal educado que se prevalece de minha feminilidade ou do intenso tráfego que reduz qualquer ser humano a uma formiga. Acho que algo mudou em meu cérebro de uns anos pra cá.

Enquanto não chego ao meu destino preciso decidir como será minha manhã. Acabo de me lembrar que esse será o dia em que uma daquelas três incríveis criaturinhas será reavaliada pelo ortopedista. Diagnóstico: fratura no úmero direito. Quem foi que falou que princesa não quebra o braço? Posso garantir que sim. E pela segunda vez. Enfim é quase impossível não refletir a respeito das implicações de tal situação. Ainda mais após pareceres diferentes a cada visita ao médico além de saber que uma tala de gesso é incapaz de deter a vivacidade pueril.

A manhã vai se passando, vou matando o tempo trabalhando enquanto aguardo o reencontro cotidiano. Percebo que de fato trabalhar é na verdade matar o tempo já que a vida real está longe de ser uma mera distração envolvendo um laptop e algumas idéias elaboradas em arquivos. 12h. Hora de me preparar emocionalmente para e enxurrada de gritinhos, pulos, beijos, comentários indignados, diversas feições. A rotina é interrompida pela tal ida ao hospital. Respiro fundo, pois enquanto deixo o carro aos cuidados do manobrista, percebo que ele terá um destino bem mais confortável que o meu (sinceramente, às vezes alimento o sonho de que sou um objeto inanimado). O cenário é caótico. A impressão é de que todas as crianças da cidade resolveram embranquecer um pouco mais os cabelos de seus pais no mesmo dia. Ainda assim, ergo as mãos pro céu pela oportunidade de levar minhas crianças a um local onde algumas distrações pediátricas estarão à disposição. Diante das muitas ofertas de entretenimento na sala de espera, não tenho outra opção senão a de me sentar e esperar que todas encontrem algum tipo de diversão. Entre painéis e esculturas manipuláveis noto que o braço quebrado já sem gesso é capaz das mais incríveis manobras. Fico o tempo todo me perguntando como faço para manter três crianças (sim, é delas que estou falando) controlarem o ímpeto indomável de movimentarem-se. Após alguns instantes, o nome de uma delas é mencionado e com rapidez e aos berros chamo a todas para o consultório. Com uma paciência invejável, a médica contorna as inúmeras perguntas advindas de três ávidas cabecinhas. Me impressiono com a capacidade de argumentação e também com a audácia em questionar cada procedimento. 14h. Após as devidas providências nos encaminhamos para nossa segunda casa, a de quatro rodas, talvez tão habitada quanto a de quatro paredes. Uma hora depois estamos em casa. Almoçamos, e corro para que as tarefas escolares sejam feitas com intensa rapidez sem que o zelo seja ignorado.

Uniformes de ballet já sobre a cama desalinhada aguardam para serem vestidos. Às 17h duas já estão prontas para um momento de aprendizado e não menos relaxante do dia. Mais uma vez lanço mão da escova de cabelo, grampos, acessório de contenção dos cachos (rede) e nossa segunda casa nos aguarda. Enquanto tento aninhá-las, sou impelida, pelos inúmeros questionamentos e reivindicações, a dizer que não se deve desistir dos sonhos no primeiro obstáculo, que na vida enfrentamos dificuldades, mas devemos superá-las se quisermos alcançar nossos objetivos. Enquanto as aguardo por uma hora, me distraio jogando conversa fora tentando não me preocupar tanto assim. Na volta pra casa ainda escuto vozes de mente e coração que questionam a vida ainda que de forma inconsciente. Mais uma vez o repertório moral e ético é solicitado. Já me perguntei uma vez quantas vezes ao dia preciso acessar meu banco de dados chamado maternidade. Às 19h30 inicia-se a corrida banho-jantar enquanto estico o olhar para as novidades da vibe. Marido em casa, finalmente mudo de interlocutor. Em breve o saldo do dia nos renderá boas risadas.

Todas cheirosas e com seus pijaminhas de ursinho vão dando beijinhos antes da última oração. E aquela imagem singela de criaturinhas angelicais reaparece. Com um sorriso nos lábios e um interminável suspiro apago a luz. Olhos ao céu, digo baixinho: obrigada Senhor, por mais um dia desses...


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Contra a PLC 122

Caros congressistas,


Gostaria de me manifestar como cidadã que já há algum tempo não tem se orgulhado de sua própria nação.

Não estou aqui para rechaçar aqueles que possuem orientação sexual homoafetiva, simplemente quero expressar que desaprovo a PLC 122, lei que, em minha opinião, fere completamente a liberdade de expressão tão defendida pelo regime democrático que, teoricamente, é o vigente no Brasil.

O problema dessa tão polêmica lei vai mais além do que simplesmente criminalizar a homofobia, ela confere aos homossexuais direitos tais que se por alguma circunstância forem demitidos de seu emprego, podem alegar preconceito, se estiverem adotando comportamento inadequado, ainda mais em locais públicos frequentados por crianças e adolescentes, os pais não terão o direito de se manifestar, pois poderão ser presos com respaldo na PLC 122.

O que mais podemos esperar, senhores, de nossas maiores autoridades se até os membros do STF, os mesmos que deveriam assegurar o cumprimento das leis do país e fazer valer nossa constituição, por razões que a própria razão deseconhece, simplesmente pisoteiam, atropelam a soberania de nossa Constituição?

Aonde vamos parar com essas arbitrariedades? Como se espera que o Brasil seja encarado com seriedade internacionalmente se internamente sofremos com decisões que sob o argumento do "preconceito", como são chamados aqueles que desaprovam certo tipo de comportamento, os cidadãos que desejam manter a instituição familar constituída por pai (homem), mãe (mulher) e filhos muitas vezes são os que mais sofrem esse preconceito? A aprovação dessa lei abre precendentes para práticas sexuais entre adolescentes e crianças que não tem qualquer tipo de maturidade para lidar com seu próprio corpo, não estão formados intelectual, emocional e espiritualmente mas que estão sendo bombardeados a todo instante, até mesmo em instituições de ensino, principalmente as públicas, com dicas para se usar preservativos e como ter uma relação homo (sexual) segura. Quantos bebês vocês esperam ver nas caçambas e lixeiras de nosso país? Quantos adolescentes suicidas e homicidas serão necessários para que se coloque um basta na permissividade que hoje é defendida como "liberdade"? Será que essas medidas não estão tolindo a liberdade de expressão daqueles que querem defender princípios e valores para que assassinos como o maníaco da escola de Realengo, por exemplo, não se sintam no direito defender o que acreditam e assim matar nossos filhos enquanto estão buscando um futuro mais digno? A liberdade é limitada por valores, mas que valores? Ninguém mais sabe o que é isso. Cada um tem o seu. Aonde se espera chegar com essa mentalidade? Ou vocês creem que a violência gratuita que assombra o país é culpa do porte legal de armas?

Qual voz tem sido ouvida? A dos 60 mil casais homo que correspondem a 0,6% da população? Será que a opinião dessas pessoas tem mais peso do que as milhões de famílias que desejam que seus filhos cresçam num país descente que não abre mão de valores que garantem a sobrevivência de sua nação? Isso não é preconceito, isso é uma questão de preservação. A aprovação dessa lei vai penalizar cidadãos de bem enquanto processos contra assassinos, estupradores, descartadores de bebês vão mofando nas prateleiras de nossos fóruns.

Acho que a decisão merece uma exaustiva reflexão. É isso que, como eleitora, espero de vocês.

Palavras de uma esposa, mãe, cidadã, estudante, profissional, dona de casa, cristã, cidadã brasileira.

Sou contra a PL 122!



Suenia B. Almeida
jornalista

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Gestação Cardíaca (I)

Há cerca de 13 anos, quando eu e meu marido nos casamos já havia em nossa mente, ainda que de forma embrionária, o desejo natural de ampliar nossa família. A idéia foi amadurecendo com o tempo. Aos poucos fomos passando a desejar e sonhar em ter filhos (eu mais do que ele, rs...), mas pensávamos em fazer isso não só do jeito convencional como as coisas acontecem. Com o passar do tempo, ainda que fosse uma idéia longínqua, queríamos permitir que nossa família crescesse tendo a oportunidade de abençoar a vida de alguém que talvez nunca tivesse experimentado o que significa ter um lar de verdade.

Bom, a idéia foi de alguma maneira esquecida nos nossos primeiros quatro anos de casados, já que esse fora o período que decidimos nos dedicar ao nosso relacionamento antes de ter os filhos que Deus nos daria. Qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que na verdade não podíamos ter filhos, e apesar da possibilidade de uma cirurgia para corrigir o problema as chances ainda seriam remotas. Isso, num primeiro momento, nos soou como uma grande tristeza, mas sempre confiamos que Deus tinha o melhor para nós e já havíamos experimentado isso ao longo de nossa vida juntos, então entregamos o problema a ele. Diante desse contexto, a idéia de adotarmos uma criança veio à tona com força total. Não tínhamos dúvidas de que queríamos ser pais, e o jeito como isso iria acontecer já não importava mais. Corremos com documentos e toda a burocracia que isso envolve quando se quer dar esse passo dentro das exigências da lei do país, e lá fomos nós para a corrida da adoção. Passamos por exames médicos, conseguimos nosso atestado de sanidade física e mental (descobrimos que não somos loucos, rs...), conseguimos nossa certidão negativa de antecedentes criminais (e que também temos a ficha limpa) e preparamos a papelada para nos inscrevermos em diversas varas da infância, em Santa Catarina, onde morávamos na época. O fato é que o final daquele ano chegou, já haviam se passado seis meses da cirurgia, acabamos nos mudando para São Paulo e por motivos que não sabíamos ao certo explicar, nossos documentos não foram entregues.

Uma surpresa nos aguardava em São Paulo. Treze dias após chegarmos à cidade, descobrimos que íamos ser pais. Foi uma felicidade imensa, uma notícia que veio encher de alegria todos os espaços do nosso coração e uma grande gratidão a Deus tomou conta de nós. Bom, a história toda é que num período de pouco mais que três anos nossa família quase triplicou de tamanho e somos pais de três lindas princesinhas. Vocês que acompanham o blog já conhecem a história.

Com três crianças para nos preocupar, nossa “gestação cardíaca” ficou aposentada por cerca de 8 anos. Isso mesmo, agora que nossa caçulinha está com 5 anos a idéia de aumentar a família, dessa vez por meio da adoção, voltou com força total. Por isso temos pedido a Deus que nos dê clareza para levarmos a cabo essa decisão. São muitas as implicações que uma atitude como essa pode gerar, ainda mais porque agora já são cinco pessoas envolvidas no processo e não mais duas.

Hoje não temos mais a intenção de adotar um bebê, como já havíamos cogitado, pensamos em receber uma criança com até 6 anos de idade, além disso estamos abertos a irmãos. Temos consciência de que a idéia nem sempre é entendida, pois muitos crêem que encarar uma empreitada como essa não é nada fácil. Não tiro a razão dessas pessoas, mesmo porque nós temos plena convicção disso. Mas quando ouço a respeito de como é a vida dessas crianças vivendo em abrigos, trazendo em seu currículo um histórico de sofrimento e dor tão grandes fico pensando em como nossa família é rica, não financeiramente falando, mas rica em amor, em bênçãos materiais, em relacionamentos saudáveis, em boas oportunidades, em comunhão com Deus...

Quem somos nós para merecermos tudo isso? Quem somos nós para negarmos isso a alguém? Quem nos deu o direito de não fazer nada? Minha intenção não é fazer uma apologia a adoção embora alimente o desejo de que muitos casais aceitem esse desafio também. Esses questionamentos, no entanto, são muito pessoais, eles ecoam forte dentro de mim, e também no coração do meu marido, são perguntas que não calam dentro de nós talvez porque Deus esteja nos incomodando em relação a isso. Um dia nós fomos adotados por Deus. Nós, que não éramos povo, agora somos povo! Não consigo deixar de transportar essa condição para a realidade dessas crianças, pois eles hoje não são filhos, mas em breve o serão... Tenho pensado muito sobre isso e tenho certeza que não é sem motivo. Na última semana, demos o primeiro passo para levarmos essa idéia adiante. Fizemos um curso que veio a confirmar nossas intenções. Estamos confiantes de que Deus está a frente de nós nisso. (continua...)




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UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.
Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).
Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.
Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 (veja aqui) e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.
Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

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Na contramão


O deus desse século chama-se “Prazer”. Vivemos numa sociedade hedonista, que não suporta nenhum tipo de dor. Não são toleradas diferenças de pensamento, jeito de ser, idiossincrasias, peculiaridades, frustrações, decepções. A nova lei do Divórcio Imediato não nos deixa mentir. Agora não há mais a necessidade de se repensar decisões, rever os prós e contras, analisar. Basta dizer que não há mais interesse no relacionamento e pronto. Tudo se resolve no ato, com uma simples assinatura. E não estamos falando de casos de traição e abandono não. Hoje a quebra de relacionamento se dá muito antes da intimidade chegar. É assim. Cada vez mais cresce o número de pessoas que defende a sua suposta felicidade a qualquer custo. Quando a relação não tem mais nada a lhe oferecer então a solução é ir para a próxima, seguir em frente, como se fosse possível passar uma borracha sobre tudo o que ficou para trás. Essa marca da sociedade moderna deixa bem claro que o que vale mesmo é o ego, se este estiver bem alimentado, satisfeito, que se dane o resto. Fico me perguntando se vai sobrar alguma história pra se contar...

Por esse ponto de vista, a lei que combate o castigo físico pelos pais vem bem a calhar. Enfim, ninguém pode ser contrariado. Uma criança de dois anos não pode receber nenhuma palmadinha na região glútea, mesmo que depois de ser advertida verbalmente ela insista em colocar seu dedo na tomada. Parece que é melhor correr o risco do choque do que mostrar a ela, numa linguagem inteligível para qualquer ser humano, que aquele comando de não por o dedo na tomada deve ser observado. É interessante notar o quanto essas duas leis se encaixam, se complementam. Já que uma criança deve ser poupada de sofrimentos, porque não eternizar essa sensação prazerosa abrindo a oportunidade de se trocar de cônjuge quando se está insatisfeito? Afinal de contas, a maneira de evitar que uma criança mexa aonde não deve é dando a ela outra coisa para fazer.

A mídia procurou mostrar que é quase um consenso a adesão à lei. Pessoas que são a favor do castigo físico (veja bem: não estamos falando de agressão ou abuso, e sim de uma advertência física que indique a existência de regras que precisam ser obedecidas) não foram ouvidas. Muito menos foram ouvidos jovens que receberam algum tipo de castigo físico na infância por seus pais, e que hoje tem uma vida saudável, tornaram-se pessoas respeitosas e responsáveis e que até agradecem aos pais pelas palmadas que receberam. As crianças entrevistadas geralmente são aquelas que aparecem cheias de hematomas, tendo sido espancadas depois de verbalmente agredidas. Isso sim é violência, isso sim é mal-trato e abuso. Acontece que é cada vez mais comum a idéia de que pais e filhos estão em pé de igualdade. Não existe mais autoridade associada à figura dos pais. Há hoje a figura dos pais que usando o argumento da amizade são reféns dos próprios filhos. Ora, se um pai ou uma mãe podem simplesmente ir ao cartório e acabar imediatamente com seu casamento, porque já não estão mais satisfeitos com aquela relação, os filhos aprendem com isso que também podem fazer o que quiserem com a própria vida.

Na teoria, muitos vão defender que os filhos precisam ter limites, precisam ser educados, que deve haver respeito entre as partes. Mas como se corrige um filho que grita com o próprio pai? Como se disciplina uma criança que mentiu ou roubou? Será que uma conversa é suficiente? A quem estamos tentando enganar? Por conta das exceções, muitos colocam seus filhos numa roleta russa esperando que a vida lhes mostre o que é certo ou errado. Os nossos políticos já foram crianças. Os Nardoni, a Suzane von Richthofen e o goleiro Bruno também. O que há de errado com essas pessoas? Elas simplesmente eliminaram aquilo que era incômodo. Simples assim. Simples como assinar um papel e extirpar um relacionamento que a princípio começou em nome do amor. Simples como trocar a necessidade da disciplina por um brinquedo que seja mais interessante.

E nós, cristãos, referendados biblicamente, taxados moralistas, nos condenamos por mostrar a nossos filhos que a vida não se resume à satisfação do nosso bel-prazer. Talvez sejamos presos por mostrar a nossos filhos que as pessoas têm valor, que pai e mãe são muito mais do que seres humanos provedores. Talvez não nos tolerem por defendermos a tolerância com aqueles que nos rodeiam. Talvez nos condenem por adotar, em casos de desobediência deliberada, a famosa palmada para que nossos filhos entendam que seus pais os amam, e por isso os advertem. Nossos filhos não são brinquedos, são herança, a herança que nós vamos deixar para o mundo. Se nenhum ser humano deseja ser descartado, porque tantas pessoas lutam por isso? Eu continuo na contramão.

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